arribaçã
inté
Escrito por mario cezar às 21h56
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quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, convence-se de que os mortais não conseguem guardar segredo. se os lábios estão mudos, eles tagarelam com as pontas dos dedos; a traição força seu caminho por todos os poros freud
temporada de férias:
hiroshima meu amor alain resnais sonata de outono ingmar bergman amarcord federico felini morte em venza luchino visconti amantes constantes philippe garrel edifício master eduardo coutinho
Escrito por mario cezar às 22h23
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pelas frestas da porta, o sol alumia o cacto, robusto .espinhento. no centro da sala, a rede de renda chama o corpo para expurgar o asfalto, preguento. na prateleira, de imbuia, a vida torna-se clarão. é a própria aurora dependurada. sou grato. afinal, ardo e me lanço em direção ao "clube da esquina" onde milton nascimento diz que o amor é um pássaro, em colisão.
Escrito por mario cezar às 14h04
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cada qual rume, com fé, pense onde se fixar e não caia estando em pé
goethe
Escrito por mario cezar às 21h47
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a palavra atinge o cerne da carne?
Escrito por mario cezar às 13h55
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as horas fugidias - para onde é que voaram? goethe
pendenga literária no dia 22, o caderno "mais" da folha de são paulo, publicou uma enquete com intelectuais, destrinchando que machado de assis supera guimaraes rosa , sem dúvida, gigantes. ora, em meus ossos circundam preferências: graciliano ramos.
cinema é, esmagado de espanto, que continuo diante de ingmar bergman. ontem vi: "juventude" e "sonho de mulheres" e ternontonte, em gozo-deslumbre, glauber rocha vociferou. luminoso e profético. vi: " o dragão da maldade contra o santo guerreiro"
psicanálise. minha concertina. facão de alumiar. estou debruçado (e roído) sobre : além do princípio do prazer ,1920. o inconsciente,1915 e esboço de psicanálise, 1938. livros do homem que apontou os desconjuros. que disse o quanto somos abestados.
Escrito por mario cezar às 12h12
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o cinema de ingmar bergman é o abismo. desconjuro nosso de cada dia. nenhum sermão alcança. hoje espiei, "gritos e sussurros", "o olho do diabo" e "mônica e o desejo" :
meu amor não me protege de nada. nenhum castigo é duro demais para quem ama
Escrito por mario cezar às 21h27
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diante de contendas literárias:
no dia do juizo, isso não vale um peido
goethe
Escrito por mario cezar às 15h20
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narcisismo
esfolou o pau com a própria ilusão
Escrito por mario cezar às 19h22
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d"o mal radical em freud".*
na verdade, o objeto procurado não é aquele que encontramos. o que encontramos é um efeito ilusório de nossa procura. a função do objeto encontrado é preencher o vazio do objeto procurado, sem jamais conseguí-lo. enquanto presença ilusória, ele não possibilita a satisfação plena.
garcia-roza
Escrito por mario cezar às 19h53
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joão cabral
o amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. o amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. o amor comeu meus cartões de visita. o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. o amor comeu minhas roupas, meus lenços , minhas camisas. o amor comeu metros e metros de gravatas. o amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. o amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. o amor comeu minha paz e minha guerra. meu dia e minha noite. meu inverno e meu verão. comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte
Escrito por mario cezar às 23h30
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cajado de fogo
o dragão da maldade contra o santo guerreiro, glauber rocha (melhor direção em cannes,1969) restaurado. antônio das mortes retorna, assombrado; fuzuê, é ouvir quinteto armorial ou arrasto para a alma, estilhaçada. antes do sol poente, sob as brasas do vinho, led zeppelin, since i've been loving you , gallows pole; bugaris, ingrid bergman, ava gardner, ginger rogers, marilyn monroe, meu olho surta, descega; graciliano ramos, reler "infância" e "angústia" é saber de auroras silábicas; freud é minha grande descoberta. a macheza é reboco ferido. escondido, feito jararaca voraz.
Escrito por mario cezar às 12h29
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estocada
os seios,túmidos, pedindo o batismo do macho, o estigma da boca,sem piedade. grunhir a noite inteira, úmida e sem cabaço(prega preguenta). desforrar a castidade,sonho antigo
Escrito por mario cezar às 00h01
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ingmar bergman ou roteiro de almas penadas
o olho é uma paisagem dilacerada. a carne padece. como atravessar o abismo? bergman disseca os podres. a mortagem dos ossos. a alma é labirinto e nenhum sermão alcança.quem escapa? bergman,tradutor do avesso e do desconjuro nosso de cada dia
do gênio, assisti: o sétimo selo, 1956 morangos silvestres, 1957 persona, a fonte da donzela,1959 "não sei como recuperar a paz sozinho" trilogia do silêncio através de um espelho, 1961/62 luz de inverno, 1961/62 o silêncio, 1962
Escrito por mario cezar às 19h51
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para uma noite (quase líquida) de maio
beatriz peregrina com as abelhas. é cúmplice da estrela, clandestina.
filmes no pé da estante, obras de salvação. indagação da luz. é armar a rede no centro da sala, e: "luz de inverno","atrás de um espelho" ingmar bergman."um cão andaluz","a idade do ouro" luis buñel;
discos para instigar a goela. obras atrevidas. crôa de dores ou inteira claridade. alando-se. grunhindo: "berro" ednardo (1976) e "orós" de fagner (1977);
vinho terrazas de los andes(2001) utopia reaver o antigo beijo
Escrito por mario cezar às 20h17
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