coivara

16/08/2009

cadê teu corpo rubro ? composição de labaredas. cadê tua boca (outrora sonsa)? modo do  precipício.teu buraco-buquê  encostado no tronco das coxas. porque teu peito,   aluá-fogoso  é  galáxia de gemedeiras.  arranca este vestido de cetim e vem , nobre-lasciva . com tua arquitetura  de vinho . tua sanha de mulher. a carne  tem fundamentos de orquestra, de reino antigo. imperial . o dia nos pertence .
eis o
silêncio
(das janelas)
em forma de oração


Escrito por mario cezar às 13h56
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16/07/2009

 

                          

de quando o couro enguiça 
                                                                     
                                    
  para wilhelm reich

                          

ali é o baixio das bestas. acolá é a baixa da égua. tudo é  desossado. na província de gangrenas, onde  a alma é macambúzia. o argueiro é de nascença. o bucho da mulher é um bornal, de lombrigas enfezadas.preguenta.  parece piçarra no cós da calça. ninguém entende o modo mortal do couro canga(costurada por dentro). os homens , de quengo  sem prumo, desadormece na texteira da cama . o aperreio alastra-se feito capim malvado. cada cacimba reflete a tontura do rosto, apagado. nenhuma reza alcança.


Escrito por mario cezar às 18h01
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03/07/2009

michael jackson

cancão de  fogo enfezado ou farfalhar de borboletas? ronco da chibanca ou nascente de nuvens? ribanceira de rios ou lumiar de peitos  morenos (soluçando entre lábios)? estilhaço de vidro ou sonata da lua minguante? água de alfazema espraiada ou nosso rastro de morte; nossa alma malsã; nossa entranha de fel fedegoso; vermelho de pereba; nossa vasta coceira, implicante; nosso nó cego; cárie  no pé do osso. michael jakson é o que somos. tarisca de lenha podre; o cuspe tinhoso; nossa solidão de barro, desfeito; grude sebento; nossa vida ofuscada, ainda no bucho; michael jackson é nosso festim, de diabos ilusórios.


Escrito por mario cezar às 16h25
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12/06/2009

diante da "sonata para piano em 
Dó sustenido menor, Opus 27,
n. 2, ao Luar.                                          Beethovem

o amor é a pedrada da baladeira ,  em bafo preguento na soleira da carne.    dentada no vão da alma puída-penada.  o amor é o perfume, em frangalhos.  roto adentro. feito canoa quebrada, sob o desenho do vento salinizado.  o amor é o reluzente pássaro, sem sossego   é a veste encardida,  de garrancho (quase inútil)     o amor é assunto depenado (de ribanceira-morte)  barro batido antes das doze badaladas do sino da meia-noite   o amor é a prece de cascabulho   peia do coração barrento    o amor é esta cunha de relâmpagos dourados, gosma entre  os dentes, o amor é o coice marrã, da primeira aurora (depois da insônia)  o amor é a própria canga  é a cordilheira dos precipícios  é o tibungo da fome, em cabresto    o amor é este topázio trincado , desde o nascimento


Escrito por mario cezar às 11h57
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14/05/2009

a palavra range. estala no tronco da aroeira; a palavra esvoaça.crepúsculo, entre  frestas. então pergunto por ti, tutti, mulher de prece violar-violeta. comunhão em  lastro de jasmins. tua  infância de caracois. saber  ana peluso,  de morna palavra  andarilha, sobre o alpendre, destelhado,  tem o arredio, no fundo da carne. aqui, digo com os ossos acanhados, idelber avelar é gume de pedra, rasante.para além das catrevagens , que nos funda-afunda . é próprio de moacy cirne , categoria de açudes. sabe das ribanceiras do seridó, dos aceiros onde grota a beleza. homem-antena. guarida palavras ancestrais; márcia maia espreita o mormaço,  onde a rama da romã desdiz a pior mentira; silene de acalantos. atalho onde o trigo crepita. frescor de girmuns. colombina incendiária, feito sinfônica da aurora boreal;quanto a tocaia da paraíba  zabumba de reboco. repente eletrônico entre os lajedos da paraíba. elinaldo  homem-clarão com modos de jiqui. sabe o prumo do pife   lau siqueira  teu coração é cacimba de cristais. tua palavra guarnece. tua revolta-sonora é adjutório.sim, cadê pedro osmar(?), mestre de caçuar-estocada. andarilho de cantatas indomáveis. signagem-aura. rebento do jaguaribe carne, (em ti)encontro o teor das colméias. quanto a tessitura de leiluka, disse outrora, que a boca descende do mar. o sarau da cooperifa, esta sonata de vento, coral repartido em becos de piçarra crua. sim, mariza lourenço tua palavra andaluz  em gestos de perfume, líquido. ah! carlos emílio teu enredo é parte do relâmpago, facho de pedra-gume. teu canto-certeiro feito baladeira-bote. tua luta, tão rente-repente, para além dos muros . teu canto-dragão. renitência de mandacaru. tua palavra, além-jeriococoara sanfona os dias


Escrito por mario cezar às 12h04
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07/05/2009

HOmeM

 

 

este escombro. esta sonata de mortalha-trapo. pedaço de barro mouco. ermo. a esmo. esta herança decapítada. estrepado (e surdo)dentro do oráculo. é esta  estrutura cabresta.candanga. é próprio(do homem) a carnificina; é próprio, a mortandade do beijo; o homem
guarnece os ossos de pus.
                                     (este segredo de pedra,cascorenta)
o homem , esta flor-falência. rubra de medo. agônica. esta resina petrificada.  é próprio, o rugir da besta-fera; é próprio, cavalgar  entre labirintos de sal gorento. é esta  carnadura de entojo.  despelado,  de tanto  pranto. torpor . nasceu rude. destrudo. amojou-se na bacia das almas, penadas .  é próprio, a nudez de desatinos; o bote de maldição; exílio de fecundo-fel
e não
adianta luzir o poema .
                                       a carcaça (de sonho alado) migalha.


Escrito por mario cezar às 14h37
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14/04/2009

 

 

eis o podre, de pus gorrento. de fel mortificado. eis  o corpo. este andor esquálido, enredo  de carniça. este furúnculo, mastigado dia-a-dia . eis o poema, também arcabouço de insônia. mormaço agônico. (o exílio é próprio do homem). poemas são relevos reluzentes. esfarelado, sob a vigília do olhar (moribundo) amanhecido no quintal. o poema é prece ilusória. dejeto (no canto da página)vagir vagante. para uma noite de autógrafos na livraria ou  nos bares da vila madalena,tanto faz o lajedo, o desperdício do berro é o mesmo.   o poema é furúnculo. nada mais, nó cego, fastio. pólen descamado do homem narcísico(por natureza ,amén) qual é mesmo a serventia do poema? 


Escrito por mario cezar às 19h09
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26/02/2009

estropício

 

a civilização  é pus pisado , cruenta. encarde o filho (mouco)
ainda preguento, na barra da saia da mãe.               
                              nascer é uma vertigem, um andor  de barro espatifado. 
                              
feito agouro,   puído.   
                                        adianta luzir  o poema ?


Escrito por mario cezar às 15h43
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03/02/2009

ou cantares de Elinaldo Braga

recebi teu
canto. vagir de água dormida             
                                  -o pote
                                  alumia a sede-
                                                      

teu nome, herança da catingueira
                ou oração de juriti,        depenada?                      
                aboio                      
                              posto no fundo do alguidar 
                              -no cabo da chibanca-

                              candeeiro,
                                          na quina da escuridão.
                                              
                             tua história (arde) 
                             é vestígio
                             de estrela antiga.              fraturada
                                                sim amigo, nosso andor
                                                                     tem o peso
                                                                     do barro seco. 
                             amoja o perfume da imburana.              


Escrito por mario cezar às 11h24
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28/01/2009

BRás Cubas ou a estocada de MACHAdo de AssIS

 

 

 

...o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e,  não obstante,  porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passavam diante de mim, -  flagelos e delícias, - desde essa cousa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a  debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a  inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um  farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento e passeava eternamente as suas vestes de  arlequim, em derredor da espécie humana... que era uma dor bastarda. então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das cousas


Escrito por mario cezar às 13h28
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15/01/2009

ESboÇO

o corpo
              , nódoa   de pus.
                     retalho 
                     
ainda tenso,
dentro do próprio abismo.
                    

o corpo, 
              corola faminta. 
                                        
vertigem.                  
nenhuma reza alcança as frestas, a fenda bruta.

este corpo,
                embrulho tímido, assume as derrotas,
                inclusive  o choro incubado na insônia.   
                         este corpo,
agora, quer distância dos agouros,
da prenhez de morte.                        trincheiras de ilusão 

esta carne,
 agora,
sopro marítmo ,  vestígios de asa                  a
palavra nasce despida.                gesto de terra, lavrada com a própria
                                                     saliva                              destemida . 
o corpo
(quem sabe), agora
é  parte da aurora. 
                                                 rama de carmin.


Escrito por mario cezar às 18h58
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06/01/2009

pra início de conversa

entre rios e garranchos  avoantes             estrelas e o perfume líquido da terra    entre fendas de pedras e o dilúvio  dos ventos do vale do matutu-mg,  destasquei  palavras sonoras. idiomas alados:

,eu tinha simplesmente forjado o punho, a impaciência também tem seus direitos.              lavoura arcaica, raduan nassar
                                                      

,mas eu creio que capitu olhava para dentro de si mesma,enquanto que eu fitava deveras o chão,o roído das fendas duas moscas andando e um pé de cadeira lascado. era pouco mas distraia-me, dom casmurro, machado de assis                   

, o amor muitas vezes tem o rosto da violência.             carta ao pai, kafka

e agora(12 dias sem jornal ou televisão)deparo-me com a crueza da guerra, o estilhaço de ódios, o sangue, cru, derramado em nome da religião, em nome dos sacro santos ofícios,  de palavras  entupidas goela abaixo, com o gozo da indústria bélica, do  poder do fogo-vil e da tirania odienta             das pulsões destrutivas (diga-se  , que habita cada um, ) tão bem ilustrada por sigmund freud em "o mal estar da civilização


Escrito por mario cezar às 20h05
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18/12/2008

Silvia,

 

 

                                       tua boca, voraz,
                                                       é a própria solidão
                                                                  ou  vagir de chuva?
                                      teu peito é a fúria do
                                                           pássaro preso     ou oração 
                                         de terra,      úmida? 
                                                    
teu beijo  é parte do
                                                                    abraço,      em conflito?
                                                      teu corpo   é o estilhaço da fome
                                                                          ou  gesto de luz
                                                                                               (distante)?
                                                       
                   


Escrito por mario cezar às 09h37
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09/12/2008

poema,

 

 

 

                   

 

 arquitetura de coisas esquecidas.

    

                                        


Escrito por mario cezar às 11h14
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05/12/2008

narciso

 

o poeta diz:  sou luz no oco da escuridão           sei os modos do pólen          o princípio das chuvas.      tua palavra , fogo-pálido, não muda o desfecho do dia.           tua palavra-pereba é ronco, apenas.         surto de tua ilusão.            um cabaço, inútil           


Escrito por mario cezar às 10h45
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